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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Polícia Civil desarticula esquema de fraudes com cartões magnéticos

Polícia Civil desarticula esquema de fraudes com cartões magnéticos
Prisões, apreensões e momento da prisão de um carteiro
Cartões apreendidos e cartas encontradas na casa de carteiro. Abaixo, presos

A Polícia Civil realizou, nesta quinta-feira, 27, a Operação “Card Free”, para cumprimento de mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão domiciliar, em 24 imóveis, na Região Metropolitana de Belém (capital, Mosqueiro, Ananindeua e Marituba). Ao todo, 21 pessoas foram presas, entre elas cinco carteiros, acusadas de envolvimento em um esquema fraudulento, que envolvia desde o desvio de cartões magnéticos de bancos e de crédito, por parte de agentes dos Correios, até a clonagem deles para uso em fraudes. Foram apreendidos dezenas de cartões magnéticos, correspondências, equipamentos eletrônicos e de informática, e até duas armas de fogo – um metralhadora calibre 9mm Imbel, de uso exclusivo do Exército, com dois carregadores e sem munição, e um revólver calibre 38 com numeração raspada com seis munições – e uma caixa com 50 munições para pistola calibre 380.
As investigações foram coordenadas pelos delegados Samuelson Igaki, presidente do inquérito, e Beatriz Silveira, da Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DPRCT). As investigações contaram com o apoio do Setor de Inteligência dos Correios.No total, 120 policiais civis, de Divisões e Seccionais, de Belém, e da Superintendência Regional do Salgado, com apoio de policiais civis do Grupo de Pronto-Emprego (GPE) e Núcleo de Inteligência Policial (NIP), e policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE) e da Ronda Tática Metropolitana (Rotam), participaram da operação, sob coordenação do delegado João Bosco Júnior, titular da Diretoria de Polícia Especializada (DPE), da Polícia Civil.

O trabalho investigativo, que durou cerca de um ano, desarticulou o esquema de fraudes praticado por organizações criminosas com uso de tecnologia da informação, que geraram prejuízos estimados em R$ 5 milhões, vitimando pessoas e empresas bancárias no Pará.
A operação teve início, por volta de 5h, quando os policiais saíram da Delegacia-Geral, para dar cumprimento às ordens judiciais. As investigações tiveram início após uma instituição financeira, por intermédio de advogados, registrar Boletim de Ocorrência Policial na Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos, relatando as reiteradas práticas de extravio de cartões magnéticos, com fins fraudulentos, bem como o grande valor auferido pelos criminosos, motivo pelo qual solicitava investigação.
Nas investigações, a Polícia Civil, por meio da DPRCT, apurou que, no período entre agosto de 2011 e abril de 2012, foram extraviados na cidade de Belém e região metropolitana, 362 cartões de crédito e outros 19 de débito. O esquema gerou lesão a um grande número de clientes, ressaltando que os titulares dos cartões fraudados não receberam os cartões,  que foram extraviados antes de sua recepção e tiveram operações não autorizadas ou reconhecidas pelos titulares. Dessa forma, foi iniciada, na DPRCT, a Operação “Card Free”.
Durante as investigações, foi possível observar o modo de atuação dos suspeitos, os quais, em conluio com carteiros, adquiriam, mediante pagamento, os cartões bancários, de vários bancos. Em seguida, os golpistas “malhavam” os clientes, ou seja, conseguiam desbloquear os cartões, passando-se por funcionários de operadoras dos cartões. Eles (os golpistas) conseguiam que os próprios clientes lhes repassassem os dados pessoais, como nome completo e senha. Depois, os criminosos realizavam compras diversas com os cartões desbloqueados, passando-se pelos verdadeiros titulares. Para tanto, usavam documentos falsificados em nome do dono do cartão. Por fim, revendiam as mercadorias compradas, por valores abaixo de mercado, e reiniciavam o ciclo criminoso.
PRESOS Os presos são cinco carteiros, dos Centros de Distribuição Domiciliar (CDD), do centro de Ananindeua, Cidade Nova e Marituba. Os carteiros presos são Lidivan Andres Barbosa Silva, conhecido como Lidivan; Francisco Carlos dos Santos Diniz; Max Ney Lobato Bernardes, de apelido “Zé Colmeia”; Raimundo Nonato de Souza Bastos, de apelido B.O., e Carlos Antônio dos Santos, de apelido “Paulista”. Os demais presos são Neuzarina Barros da Silva, conhecida por Neuza; Juliana da Conceição Silva, conhecida por “Ju” ou “Juliana”; Jorge Luiz Pinheiro Gomes, de apelido “Jorginho”, com quem foram apreendidas as armas e assim foi autuado em flagrante pelo crime de porte ilegal de armas de fogo e munição; Fernanda de Paula Souza Teixeira; Alison do Nascimento Pereira; Maria do Rosário Freitas de Oliveira, conhecida como Rosário; Antônio Marcos Moreira da Costa, de apelido “Alemão”; o taxista Francinaldo Paiva da Silva, de apelido “Batatinha”; Williams da Cruz Leite, de apelido “Júnior Tchen”; Eliete Nonato Fonseca Marinho; Rosivaldo Rosa Aires, de apelido “Moju”; Fúlvio André Marques; Alberto Vinícius Sales do Nascimento, de apelido “Beto”; Lourival Assunção Nascimento Garcez Neto, de apelido “Foca”; Priscilla Gerhardt Pacheco, e Fábio Luiz Queiroz da Silva, de apelido “Fábio Louro”. Todos irão responder pelos crimes previstos nos artigos 151, 171, 288, 297, 298, 299 e 312, 317, 319, 333, combinado com artigo 327, do Código Penal. As  investigações continuarão e novos crimes poderão ser descobertos no decorrer da apuração.NOVA MODALIDADE Segundo a delegada Beatriz Silveira, a equipe da DPRCT identificou uma nova modalidade de fraude, na qual, juntamente com carteiros, os outros suspeitos abriam as correspondências, utilizando uma estufa localizada na loja de ferragens, de propriedade de Rosivaldo Rosa Aires, conhecido como “Moju”, na Rodovia Mário Covas, em Ananindeua, onde os cartões bancários tinham os dados copiados e, depois, eram novamente colocados em envelope original, para serem entregues normalmente aos donos. As investigações mostraram que os carteiros identificados também se apropriavam das correspondências com as senhas bancárias de clientes e as comercializavam aos demais integrantes da quadrilha. A DPRCT apurou que foram fraudados mais de 800 cartões em um ano, com prejuízos estimados em cerca de R$ 5 milhões. Mais de 800 pessoas tiveram os cartões fraudados, passando por diversos constrangimentos como bloqueios, nomes em órgãos de proteção ao crédito, entre outros, enquanto os suspeitos mantinham, em sua maioria, vida de luxo, viagens e festas, tudo com o dinheiro alheio.

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