Servidores do Pará flagrados em tráfico de madeira


Servidores do Pará flagrados em tráfico de madeira (Foto: Ricardo Amanajás)


Com o objetivo de desarticular um esquema de transporte ilegal de madeira em rodovias federais, a operação Cupinzeiro está percorrendo, desde a manhã de ontem, 9 municípios do Pará, Maranhão, Sergipe e Piauí para o cumprimento de 55 mandados expedidos pela Justiça Federal. A operação é realizada de forma conjunta pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA). Os nomes dos acusados, dos presos e nem o balanço da operação foram divulgados.
As investigações que culminaram nos mandados de prisão, condução coercitiva e de busca e apreensão iniciaram com um trabalho de rotina da corregedoria da PRF. Denúncias apontavam que servidores da própria PRF, que atuavam no posto de fiscalização no município de Dom Eliseu, estariam permitindo o transporte de madeira com documentação irregular pela rodovia BR- 010, conhecida como Belém-Brasília. “A partir do trabalho convencional interno, percebeu-se que havia indícios de que isso estava ocorrendo e a situação foi levada até o Ministério Público Federal”, explicou o corregedor regional da PRF, Sebastião Ferreira de Oliveira.
Além do envolvimento de 4 policiais rodoviários federais, foi identificada a participação de 2 servidores da Secretaria de Estado da Fazenda do Pará (Sefa), 3 servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Dom Eliseu, 1 vereador do município de Itinga, no Maranhão, e de transportadores de madeira e madeireiros. 
A investigação aponta que o esquema é de antes de 2014. A perspectiva é de que uma média diária de 10 caminhões carregados com madeira tinha o trânsito permitido pela rodovia mesmo sem documentação ou com documentação irregular. Destacando que a operação foi coordenada pelo procurador da República Felipe Jardim, que realizava a oitiva dos envolvidos no município de Paragominas (PA), o procurador da República do MPF Alan Mansur Silva destacou que os prejuízos causados pelo esquema foram grandes. “O prejuízo é tanto ambiental quanto social. Os servidores recebiam valores em dinheiro para se omitir”.

ACUSAÇÕES
Os envolvidos no esquema são acusados das contravenções de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, falsificação de documento público, falsidade ideológica, incêndio doloso e danos ao patrimônio público. “É importante que o Judiciário apoie esse controle interno, realizado pela administração pública”, destacou o corregedor geral da PRF, João Carlos Alcalde. O DIÁRIO DO PARÁ não conseguiu contato com o Governo do Estado para saber que providências serão tomadas referentes aos servidores da Sefa envolvidos no esquema de corrupção nas rodovias.
Acusados teriam patrocinado vandalismo em Dom Eliseu
Além do esquema de corrupção ligado à documentação, as investigações também identificaram que a organização criminosa patrocinou uma onda de vandalismo em Dom Eliseu, em dezembro de 2015, quando estava em curso a Operação Temática de Combate a Crimes Ambientais (Otecca). Provas coletadas apontam que madeireiros, agentes públicos e intermediários se reuniram para instigar e financiar depredação, furtos e até incêndios a prédios públicos no município.
Todo o material apreendido a partir dos mandados será analisado pela Polícia Federal. “Nós percebemos que entre os envolvidos estão servidores tanto da esfera municipal, quanto estadual e federal. Eles responderão tanto criminalmente, quanto civilmente e administrativamente”, destacou o delegado da PF, Ualame Machado.
OPERAÇÃO MUNICÍPIOS
Os alvos da operação estavam nas cidades de Belém, Ananindeua e Dom Eliseu, no Estado do Pará; nas cidades de Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Trizidela do Vale e Itinga, no Estado do Maranhão; no município de Ribeiropolis, Estado de Sergipe; e em Eliseu Martins, no Estado do Piauí.

MANDADOS EXPEDIDOS
Prisão Preventiva – 9
Prisão Temporária – 8
Condução Coercitiva – 11
Busca e Apreensão - 27
(Cinria Magno/Diário do Pará)