Corpo de recém-nascido desaparece de necrotério no Hospital Gaspar Vianna


Corpo de recém-nascido desaparece de necrotério no Hospital Gaspar Vianna (Foto: Antônio Cícero/Arquivo)


O corpo de um recém-nascido de 23 dias desapareceu da Fundação Hospital das Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), em Belém. No Boletim de Ocorrência, a mãe do bebê, Maria Juanesica Brito Paulo, afirma que recebeu a notícia da morte do filho na segunda-feira (17) e que, na mesma tarde, o corpo havia desaparecido.
A criança nasceu dia 24 de junho, no município de Concórdia do Pará, no nordeste paraense, mas, devido complicações, a família, que é de Aurora do Pará, veio para Belém em busca de atendimento médico.
Poucos dias após seu nascimento, o recém-nascido foi internado na Fundação Santa Casa de Misericórdia (FSCM) para tratar um problema no coração. Após apresentar complicações, no dia 1º de julho, o menino foi encaminhado e internado na UTI neonatal da FHCGV.
De acordo com informações repassadas aos familiares, a criança não resistiu à cardiopatia e morreu na madrugada de segunda-feira (17), porém, quando foram buscar o corpo do bebê, descobriram que havia desaparecido.
Familiares estão inconformados
Indignada com a resposta da FHCGV, Benedita Ferreira, tia de Maria Juanesica, expôs e compartilhou o caso da sobrinha nas redes sociais. Confira o depoimento na íntegra:
Meus amigos, peço a vocês que me ajudem a compartilhar essa publicação. Ontem, dia 17 de julho de 2017, veio à óbito no Hospital de Clínicas Gaspar Viana um bebê com 23 dias de nascido, do sexo masculino. A mãe do bebê chama-se, Maria Juanesica Brito Paulo. Ele estava enterrado na UTI neonatal que fica localizado no 2º andar do prédio. Quando a mãe do bebê e eu chegamos ao hospital pela parte da manhã, fomos informadas que o bebê havia falecido. Então começou todo o procedimento para fazer a remoção do corpinho do bebê, sendo que a mãe mora no interior do Estado do Pará. Quando a funerária chegou eram por volta das 17 horas. Fomos, então, ao necrotério do hospital e, quando chegamos lá, começou o nosso desespero. Gente, o corpo do bebê SUMIU, desapareceu, ninguém sabe, ninguém viu. Simplesmente sumiu. Procuramos várias vezes e nada. Como assim? Não acredito; como some um corpo de uma criança de dentro de um hospital e ninguém sabe nada? O que aconteceu? O que fizeram com ele? Até agora eu estou sem entender. Fizemos o Boletim de Ocorrência em São Braz. O avô da criança está chegando junto com o pai para voltarmos ao hospital. Por favor, compartilhem. Vamos divulgar esse caso para que família nenhuma venha passar por esse desespero. Essa mãezinha perdeu o seu filho duas vezes: uma por ter falecido, duas porque sumiram com o corpinho dele dentro do hospital. Isso não pode ficar assim.
Mãe perdeu o filho duas vezes
(Imagem: reprodução)
A mãe do menino o viu pela última vez no sábado (15) e, ao retornar na manhã de segunda-feira (17), foi informada sobre o óbito do bebê.
Abalados, os familiares trataram da documentação e locomoção do corpo para Aurora do Pará, onde deveria ocorrer o velório e sepultamento.
Por volta das 17h, quando pediram pela liberação do corpo do necrotério, após a chegada do veículo da funerária, deram conta que o corpo do recém-nascido havia sumido.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Seccional de São Brás, em Belém, e, até às 17h desta terça-feira (18), os familiares não haviam recebido nenhuma informação a respeito do paradeiro do corpo do menino.
Em nota, FHCGV reconhece 'fato lamentável e inaceitável'
O hospital afirma que determinou a abertura de uma sindicância para apurar o desaparecimento do corpo do recém-nascido, que foi a óbito no dia 17, por volta das 00h50.
Segundo a nota, o corpo foi preparado para ser entregue à família e levado ao necrotério do hospital, que se prontificou a organizar os preparativos junto a uma funerária.
Somente ao final da tarde daquele dia, quando o veículo da funerária chegou, os funcionários da FHCGV perceberam que o corpo da criança não estava mais onde havia sido deixado. 
Buscas foram realizadas nas dependências do hospital, inclusive na geladeira destinada ao armazenamento dos corpos que ficam mais tempo à espera de remoção, porém não houve êxito.
Ainda de acordo com a nota, a médica responsável orientou os familiares para que registrassem um boletim de ocorrência, e que a psicóloga do hospital está acompanhando todos até o momento.
Além da abertura de sindicância, a direção da FHCGV afirmou que pretende rever o protocolo para a manipulação e transporte intra-hospitalar de cadávares.
Considerada uma instituição de média e alta complexidade, referência em cardiologia, nefrologia e psiquiatria, a FHCGV reconheceu se tratar de um 'fato lamentável e inaceitável', e inédito na história do hospital.
(DOL)