Motos lideram tragédias no trânsito


Motos lideram tragédias no trânsito (Foto: Mário Quadros/Diário do Pará)


O Brasil tem mais de 24 milhões de motocicletas, segundo dados de 2016 do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O número corresponde a 27% do total de veículos que rodam nas estradas do País. E os acidentes com motos concentram 76% das indenizações pagas pelo Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT).

A motocicleta é um dos meios de transporte mais inseguros utilizados atualmente, devido à vulnerabilidade a que o condutor fica exposto. O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, na Grande Belém, registrou mais de cinco mil atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito ano passado, sendo mais de dois mil apenas de acidentes de moto, o equivalente a 47,7% do total.

Em 2015, a porcentagem foi de 44,2%, com 3.315 atendimentos. A projeção para 2017, de acordo com o diretor geral do HMUE, Rogério Kuntz, é que a proporção continue na casa dos 40%, com previsão de 4.500 atendimentos. “No Metropolitano, recebemos apenas os casos mais graves e mais urgentes. Vítimas de acidente de moto é uma constante”, conta.

Por causa da vulnerabilidade, os acidentes com moto geralmente envolvem ferimentos graves, como vítimas politraumatizadas, com fraturas expostas, traumatismo craniano, entre outros. “Dependendo da classificação de risco, geralmente intervenções cirúrgicas são necessárias, sejam ortopédicas ou neurológicas, e também um longo tempo de internação”, explica Kuntz. O diretor aponta ainda que o tratamento de um caso complexo do tipo custa uma média de R$ 12 mil para os recursos públicos. No ano passado, o gasto total superou R$ 19 milhões.

Especialista diz que falta educação aos condutores

A conscientização e a educação no trânsito são fatores essenciais para se prevenir e reverter o preocupante quadro de acidentes de moto no País. A especialista em segurança e educação no trânsito, Roberta Torres, esclarece que, além das particularidades do veículo – como a falta de proteção dos passageiros, maior agilidade e exigência de equilíbrio para a condução –, os acidentes de moto são principalmente causados por imperícia, imprudência e negligência. “Deve começar já na escola, desde cedo, com as crianças e adolescentes, com ensino do respeito, da cooperação e da não exposição a situações de risco”, explica.


Torres também cita a própria formação do condutor que, no caso dos motociclistas atualmente, envolve apenas uma parte teórica e outra prática, que é feita em ambientes fechados. “É preciso preparar melhor o condutor para lidar com situações de risco”, opina.A última seria a educação contínua, ao longo da vida do condutor. “É preciso que todos entendam que as vias são meios de facilitar o ir e vir, e não espaços de disputa”, alerta a especialista.

Foi o número de mortos que conduziam motos no Brasil, em 2015. Ano passado, 76% das indenizações pagas a vítimas de acidentes envolviam motos, sendo que 85% foi por invalidez permanente e 5% por morte, segundo o DPVAT. O Denatran aponta que de 2000 e 2016 o número de motos cresceu 1.281%.

(Arthur Medeiros/Diário do Pará)